
A febre em crianças é um sintoma muito comum na infância e acredite, ela pode ser nossa aliada.
Porém, é causa de grande ansiedade nos pais e cuidadores, o que levou à criação do termo “febrefobia” por Barton Schmitt (pediatra norte americano), usado no meio científico desde a década de 80.
Este artigo, tem o objetivo de desmistificar a “febrefobia” e ajudar pais e cuidadores a entender a febre, o que pode ser feito e quando procurar o pediatra.
O que é a febre e porque ela acontece?
A febre é o aumento da temperatura corporal regulado pelo nosso próprio organismo.
Ela acontece, porque nosso corpo produz substâncias que elevam o ponto de regulação da temperatura, fazendo a temperatura basal aumentar.
Essas substâncias podem ser produzidas, principalmente, por duas causas diferentes:
- Infecciosas (vírus, bactérias, fungos)
- Infecções respiratórias virais são as causas mais comuns de febre na infância (bronquiolite, Influenza, pneumonia)
- Não-infecciosas (por exemplo: reabsorção de hematomas, cicatrização de tecidos, doenças oncológicas ou reumatológicas)
Apesar de causar preocupação, a febre moderada apresenta benefícios, como:
- Potencializar a ação bactericida das células
- Acelerar a produção de anticorpos
- Aumentar a população de células de defesa no local afetado
- Aumentar a atividade antimicrobiana de antibióticos
Qual temperatura é considerada febre?
A temperatura considerada febre varia de acordo com o local da medição.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria:
- Aferição axilar: > 37,5ºC
- Aferição oral ou retal: > 38ºC
Diferença entre febre e hipertermia
Muitas vezes colocamos a mão na criança e sentimos que ela está quente. Mas nem sempre esse aumento da temperatura é febre. Entenda a diferença de febre e hipertermia.
Febre
É um aumento da temperatura corporal controlado pelo nosso próprio organismo, através de substâncias que aumentam o “termostato” do corpo.
Neste caso, é esperado alterações como:
- Tremores
- Mãos e pés frios
- Sensação de frio
- Respiração acelerada
- Batimento cardíaco acelerado
Hipertermia
É um processo de aumento da temperatura corporal, que não é controlado pelo nosso organismo. É resultado de uma falha na dissipação de calor.
As principais causas são:
- Produção excessiva de calor:
- Atividade física intensa
- Abstinência alcoólica
- Intoxicação (salicilatos, cocaína, anfetaminas)
- Doenças da tireoide
- Exposição ao calor:
- Ambientes muito quentes e úmidos
- Insolação
- Dissipação inadequada do calor:
- Desidratação
- Roupas impermeáveis ou excesso de roupas (principalmente em bebês menores de 3 meses)

Febre em criança: o que fazer?
Se seu filho está com febre, o mais importante é observar seu estado geral.
A febre, por si só, causa mal-estar e desânimo, nesse momento é importante:
- Mantê-lo confortável
- Oferecer líquidos com frequência
- Evitar excesso de roupas
- Ficar atento aos sinais de alerta
Não é necessário correr para o hospital no primeiro pico febril, se a criança não apresentar sinais de alerta.
Lembre-se: a febre é um sinal e não uma doença!
Posso medicar a febre?
Sim, você pode medicar a febre, mas não é necessário fazer uso de rotina (aumentou a temperatura, dá o remédio).
A febre em crianças, na grande maioria dos casos, é autolimitada e se resolve espontaneamente sem necessidade de medicação antipirética. Inclusive, o uso dessas medicações não alteram o curso natural da doença e nem reduzem a duração da doença febril.
A recomendação é que a febre seja medicada, se houver um desconforto evidente, como:
- Irritabilidade
- Choro intenso
- Dificuldade alimentar
- Dificuldade no sono
Medidas ambientais, como o uso de compressas mornas, tem efeito rápido, com curta duração do efeito e grande desconforto para criança, por este motivo elas não são recomendadas de rotina.
Medicações usadas no controle da febre
No Brasil são liberados 3 antitérmicos:
- Paracetamol: desde o nascimento e acima de 3kg
- Dipirona: a partir de 3 meses de vida e acima de 5kg
- Ibuprofeno: a partir de 6 meses de vida e acima de 5kg
Como as doses de medicações na pediatria dependem do peso da criança, consulte seu pediatra para saber a dose indicada para o seu filho.
Atenção!
Não usar medicações intercaladas sem orientação médica pelo risco de superdosagem e intoxicação.
A febre pode causar convulsão?
A resposta é sim, mas calma!
A Crise Convulsiva Febril é o distúrbio neurológico mais comum da infância, com incidência de 3-5% nos EUA e Europa Ocidental.
Na maioria dos casos, a Crise Febril é benigna e autolimitada, com resolução rápida sem necessidade de nenhuma medicação. E a longo prazo, a maioria das crianças também não terão sequelas.
Importante!
Antitérmicos não previnem convulsões.
O que fazer durante uma crise convulsiva febril
Se a criança apresentar uma crise:
- Coloque-a em local seguro e plano
- Afaste objetos perigosos
- Deite de lado para evitar engasgo
- Cronometre o tempo da crise
Não faça:
- Não contenha os movimentos do corpo!
- Não coloque o dedo ou objetos dentro da boca!
Geralmente as crises duram de 1 a 2 minutos.
Ligar ou ir para emergência, se:
- Primeira convulsão febril da vida
- Crise com duração maior que 5 minutos
- Dificuldade de respirar
- Trauma durante a crise
- Convulsão dentro da água
- Crise que se repete em 24 horas
SAMU 192: O que fazer em caso de convulsão?

Quando levar a criança ao pediatra por febre
Você deve procurar o hospital, se a criança apresentar:
- Menos de 1 mês de vida, e nesse caso, mesmo que seja o primeiro pico febril
- Dificuldade respiratória
- Confusão mental
- Irritabilidade intensa
- Sonolência excessiva
- Dor de cabeça persistente
- Vômitos que não cessam
- Prostração mesmo após melhora da febre
- Manchas vermelhas no corpo que não desaparecem quando pressionadas (hematomas, petéquias)
Conclusão
A febre em crianças é comum, faz parte da defesa natural do organismo e na maioria das vezes, não indica gravidade. O mais importante é observar seu filho, mantê-lo confortável e hidratado, medicando apenas quando necessário.
Saber o que fazer e quando procurar o pediatra é essencial para garantir segurança e tranquilidade da criança e dos pais.
Qualquer dúvida estou à disposição para ajudá-los.
Dra. Carolina Aoki
CRM-SP 192589 | RQE 122335
Campinas – SP
Referências
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial; Departamento Científico de Infectologia. Abordagem da febre aguda em pediatria e reflexões sobre a febre nas arboviroses. São Paulo: SBP, 2025. (Documento Científico n. 206). Disponível em: SBP – Documento Científico. Acesso em: 19 maio 2026.
- DREIER, Julie Werenberg et al. Evaluation of long-term risk of epilepsy, psychiatric disorders, and mortality among children with recurrent febrile seizures: a national cohort study in Denmark. JAMA Pediatrics, Chicago, v. 173, n. 12, p. 1164–1170, 2019. DOI: 10.1001/jamapediatrics.2019.3343. Disponível em: JAMA Pediatrics – artigo completo. Acesso em: 19 maio 2026.
- HEWETT BRUMBERG, Erin K. et al. 2024 American Heart Association and American Red Cross guidelines for first aid. Circulation, Dallas, v. 150, 2024. DOI: 10.1161/CIR.0000000000001281. Disponível em: American Heart Association – First Aid Guidelines. Acesso em: 19 maio 2026.
Adorei essas dicas, super esclarecedoras. Obrigada Dra. por compartilhar, ontem mesmo meu filho teve uma febrinha e não mediquei e ela passou sozinha ♥️.
Fico feliz que você tenha conseguido ficar tranquila e observar a febrinha do seu pequeno! ❤️
Parabéns por esse conteúdo. Informação valiosa para nosso real bem estar!
Obrigada, Camila!! ❤️
Excelente as informações, sempre me sinto perdida quando a febre chega. E saber quais os pontos a serem observados antes de levar ao médico já é um alívio.
Espero que as informações desse artigo tenham te dado esse alívio! ❤️