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Dra. Carolina Aoki – Pediatra em Campinas – SP

Febre em crianças

A febre em crianças é um sintoma muito comum na infância e acredite, ela pode ser nossa aliada.

Porém, é causa de grande ansiedade nos pais e cuidadores, o que levou à criação do termo “febrefobia” por Barton Schmitt (pediatra norte americano), usado no meio científico desde a década de 80. 

Este artigo, tem o objetivo de desmistificar a “febrefobia” e ajudar pais e cuidadores a entender a febre, o que pode ser feito e quando procurar o pediatra.

O que é a febre e porque ela acontece?

A febre é o aumento da temperatura corporal regulado pelo nosso próprio organismo. 

Ela acontece, porque nosso corpo produz substâncias que elevam o ponto de regulação da temperatura, fazendo a temperatura basal aumentar. 

Essas substâncias podem ser produzidas, principalmente, por duas causas diferentes:

  • Infecciosas (vírus, bactérias, fungos)
    • Infecções respiratórias virais são as causas mais comuns de febre na infância (bronquiolite, Influenza, pneumonia)
  • Não-infecciosas (por exemplo: reabsorção de hematomas, cicatrização de tecidos, doenças oncológicas ou reumatológicas)

Apesar de causar preocupação, a febre moderada apresenta benefícios, como:

  • Potencializar a ação bactericida das células
  • Acelerar a produção de anticorpos
  • Aumentar a população de células de defesa no local afetado
  • Aumentar a atividade antimicrobiana de antibióticos 

Qual temperatura é considerada febre?

A temperatura considerada febre varia de acordo com o local da medição.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria:

  • Aferição axilar: > 37,5ºC
  • Aferição oral ou retal: > 38ºC

Diferença entre febre e hipertermia

Muitas vezes colocamos a mão na criança e sentimos que ela está quente. Mas nem sempre esse aumento da temperatura é febre. Entenda a diferença de febre e hipertermia.

Febre

É um aumento da temperatura corporal controlado pelo nosso próprio organismo, através de substâncias que aumentam o “termostato” do corpo.

Neste caso, é esperado alterações como:

  • Tremores
  • Mãos e pés frios
  • Sensação de frio
  • Respiração acelerada
  • Batimento cardíaco acelerado

Hipertermia

É um processo de aumento da temperatura corporal, que não é controlado pelo nosso organismo. É resultado de uma falha na dissipação de calor.

As principais causas são:

  • Produção excessiva de calor:
    • Atividade física intensa
    • Abstinência alcoólica
    • Intoxicação (salicilatos, cocaína, anfetaminas)
    • Doenças da tireoide
  • Exposição ao calor:
    • Ambientes muito quentes e úmidos
    • Insolação
  • Dissipação inadequada do calor:
    • Desidratação
    • Roupas impermeáveis ou excesso de roupas (principalmente em bebês menores de 3 meses)

Febre em criança: o que fazer?

Se seu filho está com febre, o mais importante é observar seu estado geral.

A febre, por si só, causa mal-estar e desânimo, nesse momento é importante:

  • Mantê-lo confortável
  • Oferecer líquidos com frequência
  • Evitar excesso de roupas
  • Ficar atento aos sinais de alerta

Não é necessário correr para o hospital no primeiro pico febril, se a criança não apresentar sinais de alerta.

Lembre-se: a febre é um sinal e não uma doença!

Posso medicar a febre?

Sim, você pode medicar a febre, mas não é necessário fazer uso de rotina (aumentou a temperatura, dá o remédio).

A febre em crianças, na grande maioria dos casos, é autolimitada e se resolve espontaneamente sem necessidade de medicação antipirética. Inclusive, o uso dessas medicações não alteram o curso natural da doença e nem reduzem a duração da doença febril. 

A recomendação é que a febre seja medicada, se houver um desconforto evidente, como:

  • Irritabilidade
  • Choro intenso
  • Dificuldade alimentar 
  • Dificuldade no sono

Medidas ambientais, como o uso de compressas mornas, tem efeito rápido, com curta duração do efeito e grande desconforto para criança, por este motivo elas não são recomendadas de rotina.

Medicações usadas no controle da febre

No Brasil são liberados 3 antitérmicos:

  • Paracetamol: desde o nascimento e acima de 3kg
  • Dipirona: a partir de 3 meses de vida e acima de 5kg
  • Ibuprofeno: a partir de 6 meses de vida e acima de 5kg

Como as doses de medicações na pediatria dependem do peso da criança, consulte seu pediatra para saber a dose indicada para o seu filho.

Atenção!
Não usar medicações intercaladas sem orientação médica pelo risco de superdosagem e intoxicação.

A febre pode causar convulsão?

A resposta é sim, mas calma!

A Crise Convulsiva Febril é o distúrbio neurológico mais comum da infância, com incidência de 3-5% nos EUA e Europa Ocidental.

Na maioria dos casos, a Crise Febril é benigna e autolimitada, com resolução rápida sem necessidade de nenhuma medicação. E a longo prazo, a maioria das crianças também não terão sequelas.

Importante!
Antitérmicos não previnem convulsões.

O que fazer durante uma crise convulsiva febril

Se a criança apresentar uma crise:

  1. Coloque-a em local seguro e plano
  2. Afaste objetos perigosos
  3. Deite de lado para evitar engasgo
  4. Cronometre o tempo da crise

Não faça:

  • Não contenha os movimentos do corpo!
  • Não coloque o dedo ou objetos dentro da boca!

Geralmente as crises duram de 1 a 2 minutos.

Ligar ou ir para emergência, se:

  • Primeira convulsão febril da vida
  • Crise com duração maior que 5 minutos
  • Dificuldade de respirar
  • Trauma durante a crise
  • Convulsão dentro da água
  • Crise que se repete em 24 horas

SAMU 192: O que fazer em caso de convulsão?

Quando levar a criança ao pediatra por febre

Você deve procurar o hospital, se a criança apresentar:

  • Menos de 1 mês de vida, e nesse caso, mesmo que seja o primeiro pico febril
  • Dificuldade respiratória
  • Confusão mental
  • Irritabilidade intensa 
  • Sonolência excessiva
  • Dor de cabeça persistente
  • Vômitos que não cessam
  • Prostração mesmo após melhora da febre
  • Manchas vermelhas no corpo que não desaparecem quando pressionadas (hematomas, petéquias)

Conclusão

A febre em crianças é comum, faz parte da defesa natural do organismo e na maioria das vezes, não indica gravidade. O mais importante é observar seu filho, mantê-lo confortável e hidratado, medicando apenas quando necessário.

Saber o que fazer e quando procurar o pediatra é essencial para garantir segurança e tranquilidade da criança e dos pais. 

Qualquer dúvida estou à disposição para ajudá-los.

Dra. Carolina Aoki
CRM-SP 192589 | RQE 122335
Campinas – SP

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial; Departamento Científico de Infectologia. Abordagem da febre aguda em pediatria e reflexões sobre a febre nas arboviroses. São Paulo: SBP, 2025. (Documento Científico n. 206). Disponível em: SBP – Documento Científico. Acesso em: 19 maio 2026. 
  2. DREIER, Julie Werenberg et al. Evaluation of long-term risk of epilepsy, psychiatric disorders, and mortality among children with recurrent febrile seizures: a national cohort study in Denmark. JAMA Pediatrics, Chicago, v. 173, n. 12, p. 1164–1170, 2019. DOI: 10.1001/jamapediatrics.2019.3343. Disponível em: JAMA Pediatrics – artigo completo. Acesso em: 19 maio 2026. 
  3. HEWETT BRUMBERG, Erin K. et al. 2024 American Heart Association and American Red Cross guidelines for first aid. Circulation, Dallas, v. 150, 2024. DOI: 10.1161/CIR.0000000000001281. Disponível em: American Heart Association – First Aid Guidelines. Acesso em: 19 maio 2026. 

Respostas de 6

  1. Adorei essas dicas, super esclarecedoras. Obrigada Dra. por compartilhar, ontem mesmo meu filho teve uma febrinha e não mediquei e ela passou sozinha ♥️.

  2. Excelente as informações, sempre me sinto perdida quando a febre chega. E saber quais os pontos a serem observados antes de levar ao médico já é um alívio.

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