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Dra. Carolina Aoki – Pediatra em Campinas – SP

Bronquiolite em bebês

A bronquiolite é uma infecção respiratória que acomete bebês menores de 2 anos, principalmente nos meses de outono e inverno. Mas como identificar os sintomas? Quando é preciso se preocupar?

Neste artigo, você vai entender o que é a bronquiolite viral aguda (BVA), suas causas, formas de transmissão, sinais de alerta e quando procurar atendimento médico.

Minha experiência no cuidado de crianças com bronquiolite

Ao longo da minha formação médica e da residência em Pediatria na Unesp de Botucatu, acompanhei de perto inúmeras crianças com bronquiolite, desde casos leves tratados em consultório até pacientes que necessitaram de internação hospitalar e cuidados intensivos.

Essa experiência reforçou algo que levo para a minha prática diária: a bronquiolite pode causar muita ansiedade nas famílias, mas, na maioria das vezes, evolui de forma favorável quando a criança recebe acompanhamento adequado e os pais são orientados sobre os cuidados necessários e os sinais de alerta.

No consultório, procuro realizar uma avaliação cuidadosa de cada criança, identificando fatores de risco, avaliando a gravidade do quadro e orientando a família de forma clara e baseada nas melhores evidências científicas. Além do tratamento, dedico tempo para explicar a evolução esperada da doença, esclarecer dúvidas e oferecer segurança aos pais durante todo o processo.

Neste artigo, reuni as principais informações sobre a bronquiolite para ajudar você a entender como a doença se manifesta, quais são os cuidados mais importantes, quando procurar atendimento médico e o que realmente funciona no tratamento, sempre com base nas recomendações científicas mais atuais.

O que é bronquiolite

A BVA é uma infecção viral das vias aéreas inferiores (traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos – vide figura 1), caracterizada por um processo inflamatório intenso, edema e necrose das células epiteliais, com aumento da produção de secreção e muco, levando à uma obstrução das vias aéreas. Classicamente é descrita como o primeiro episódio de sibilância (“chiado no peito”) de lactentes (crianças menores de 2 anos) com infecção respiratória aguda.

Referência da imagem: https://www.todamateria.com.br/sistema-respiratorio/

Quais são as causas de bronquiolite

O principal agente etiológico da BVA é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por até 70-80% dos casos. Em segundo lugar encontra-se o Metapneumovírus, responsável por até 10-15% dos casos. Porém outros vírus também podem ser causadores da doença, como: parainfluenza, influenza, adenovírus, rinovírus, coronavírus, enterovírus.

A infecção pelo VSR não confere imunidade duradoura, portanto, a criança pode ser infectada pelo VSR mais de uma vez durante sua vida.

Como ocorre a transmissão

A transmissão do vírus acontece por contato direto com secreções respiratórias contendo os agentes, em geral por meio das mãos e objetos contaminados. As portas de entrada no organismo são conjuntivas (olhos) e mucosas nasais. O VSR, em específico, consegue permanecer vivo em superfícies como bancadas, estetoscópios e berços por até 24 horas e seu período de incubação varia de 4 a 5 dias.

Portanto, cuidadores com sintomas respiratórios, mesmo que leves, precisam intensificar a higiene das mãos e bancadas (trocador, berço, armários), evitar contato muito próximo com crianças (principalmente as menores de 1 ano) e até mesmo usar máscara, quando o contato mais próximo for inevitável, por exemplo, durante amamentação.

Quais são os sintomas de bronquiolite

Inicialmente os sintomas são iguais aos de um resfriado comum: obstrução nasal, coriza clara, tosse, podendo ou não ter febre. A evolução pode variar muito, sendo que a maioria desenvolve quadros leves, com resolução espontânea. Mas também existem quadros graves com necessidade de internação em terapia intensiva.

Geralmente, o acometimento das vias aéreas inferiores acontece após o 3º dia do início dos sintomas, com piora do quadro e em alguns casos, com a necessidade de internação hospitalar. Predominantemente, acomete crianças com até 2 anos de idade, com pico de incidência nos primeiros 6 meses de vida.

Além desse quadro agudo, a BVA também está associada à recorrência de sibilância durante a primeira década de vida.

Fatores de risco para desenvolvimento de BVA grave: 

  • Idade menor de 3 meses
  • Prematuridade
  • Doenças cardíacas e pulmonares crônicas
  • Imunodeficiência
  • Exposição a irritantes das vias aéreas (tabagismo passivo e poluição atmosférica)

Sinais de alerta: quando ir ao médico

É preciso ficar atento aos sinais de alarme, como: 

  • Respiração rápida
  • Dificuldade para respirar (Figura 2, 3 e 4)
  • Baixa ingesta hídrica
  • Diminuição da diurese
  • Prostração
  • Cianose (boca ou mãos roxas)

Quando presentes, a avaliação médica imediata é necessária.

sinal de dificuldade para respirar
Figura 2
sinal de dificuldade para respirar
Figura 3
sinal de dificuldade para respirar
Figura 4

Fonte: imagens geradas por IA Gemini (Google), 2026, para fins meramente ilustrativos.

Como é feito o diagnóstico de bronquiolite

O diagnóstico de BVA é clínico. 

Baseado apenas na história clínica e exame físico é possível dizer se o paciente tem essa doença, não há necessidade de exames complementares. O raio-x de tórax, pode ser útil em casos graves, com necessidade de internação, para avaliar a presença de complicações, mas não é obrigatório. 

Exames para identificar o vírus causador são úteis para dados epidemiológicos, mas nem sempre estão disponíveis e não irão mudar as condutas.

Como prevenir a bronquiolite

A principal forma de prevenção das infecções respiratórias é manter medidas de higiene e distanciamento de indivíduos sintomáticos.

Profilaxia específica para o Vírus Sincicial Respiratório (VSR)

Atualmente, existem três formas diferentes de profilaxia para o VSR: o Palivizumabe, o Nirsevimabe e a vacina contra o VSR (realizada na gestante).

As três são administradas como “vacinas”, mas conheça as diferenças.

Palivizumabe

O Palivizumabe é um medicamento composto por anticorpos já prontos contra o VSR. 

Ele previne as formas graves de infecção em bebês de alto risco (prematuros, bebês com cardiopatias congênitas ou doença pulmonar crônica da prematuridade), ou seja, não é indicado para todas as crianças.

A injeção é feita em 5 doses, mensais, no período de maior circulação do vírus, que varia conforme a região. De acordo com o Ministério da Saúde, na região sudeste esse período vai de março a julho.

Essa medicação é disponibilizada gratuitamente pelo Ministério da Saúde para casos bem determinados.

Atualmente, essa medicação está em processo de substituição pelo Nirsevimabe no Sistema Público de Saúde.

Nirsevimabe (Sanofi)

O Nirsevimabe também é um medicamento composto por anticorpos já prontos contra o VSR e previne contra formas graves de bronquiolite em bebês.

Esta injeção é realizada como dose única.

É indicada para todos os bebês com até 8 meses e pode ser administrada independente do período de maior circulação do vírus. A partir dos 8 meses até os 2 anos ela é indicada para bebês com risco para infecção grave.

Vacina contra o VSR

Atualmente existem duas vacinas disponíveis para a bronquiolite:

  • Do laboratório GSK: indicada para idosos
  • Do laboratório Pfizer: indicada para idosos, gestante e pessoas com comorbidades a partir dos 18 anos

Apenas a vacina da Pfizer é liberada para o uso nas gestantes. O objetivo é que após a vacinação, a mãe produza anticorpos contra o VSR e passe para o bebê através da placenta. Para que haja tempo suficiente para isso acontecer é necessário que a mãe tome a vacina pelo menos 14 dias antes do parto.

Se o parto acontecer com menos de 14 dias da vacinação materna, o bebê não estará protegido. Nesse caso, é importante conversar com o seu pediatra de confiança para avaliar a indicação do anticorpo para o VSR (Palivizumabe ou Nirsevimabe).

A Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) recomenda a vacinação da gestante a partir das 28 semanas gestação.

Tratamento da bronquiolite

Na maioria dos casos, a BVA apresenta uma evolução leve e não necessita de intervenções.

Os quadros leves devem ser tratados em domicílio, com controle da febre com antitérmicos comuns (dipirona, paracetamol, ibuprofeno), lavagem nasal com soro fisiológico e manutenção da criança calma e do estado de hidratação/nutrição.

Nos casos moderados a graves, há necessidade de internação com medidas de suporte ventilatório, como oxigenioterapia ou nos casos mais graves cateter nasal de alto fluxo, ventilação não invasiva ou até mesmo intubação orotraqueal.

Conclusão

A bronquiolite é uma infecção muito recorrente na pediatria e causa muita ansiedade nos cuidadores. Na maioria das vezes, evolui bem, porém é imprescindível reconhecer os sinais de alerta e buscar ajuda o mais rápido possível, quando necessário. 

Ter um pediatra que te ajude, esclareça dúvidas e te oriente nesses momentos de angústia é o melhor para você e para o seu bebê.

Dra. Carolina Aoki
CRM-SP 192589 | RQE 122335
Campinas – SP

Referências

  1. CARPI, M. F. Bronquiolite Viral Aguda. In: MARTIM, J. G; FIORETTO, J. R.; CARPI, M. F. Emergências Pediátricas. 1ª Edição. São Paulo: Ed. Atheneu, 2019. 509:513.
  2. VIEIRA, S. E; STEIN, R. T. In: RODRIGUES, J. C; et al. Pediatria: Doenças Respiratórias. 2ª Edição. Barueri: Ed. Manole, 2011.
  3. MULLER, William J, et al. Nirsevimab for Prevention of RSV in Term and Late-Preter m Infants. N Engl J Med. 388(16):1533-1534, 20 de Abril de 2023.
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES (SBIm). Vacinas VSR (vírus sincicial respiratório). Família SBIm, São Paulo, atual. 23 jan. 2026. Disponível em: https://familia.sbim.org.br/vacinas/vacinas-disponiveis/vacinas-vsr-virus-sincicial-respiratorio. Acesso em: 23 maio 2026.

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