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Dra. Carolina Aoki – Pediatra em Campinas – SP

Febre maculosa

Introdução

A febre maculosa é uma doença infecciosa febril aguda que pode apresentar diferentes formas de evolução, desde quadros mais leves até formas graves e potencialmente fatais. No estado de São Paulo, a doença apresenta uma letalidade elevada, podendo passar de 50% (Oliveira et al., 2016). 

O tratamento adequado e precoce é a principal medida para reduzir o risco de progressão para formas graves da doença e diminuir a letalidade. Por isso, diante de uma suspeita de febre maculosa, o tratamento não deve ser adiado enquanto se aguarda a confirmação laboratorial.

Campinas e outras regiões do estado de São Paulo apresentam áreas de risco para transmissão da febre maculosa. Por esse motivo, é importante que pais e cuidadores saibam como a doença é transmitida, quais são seus principais sintomas e sinais de alerta e o que fazer diante de uma possível exposição a carrapatos.


O que é febre maculosa?

O que causa a febre maculosa?

A febre maculosa é uma doença causada por bactérias do gênero Rickettsia, transmitidas aos seres humanos pela picada de carrapatos infectados. Por esse motivo, faz parte do grupo de doenças chamadas riquetsioses.

A doença ocorre em diferentes regiões do mundo e, no Brasil, destacam-se duas espécies de Rickettsia de maior relevância epidemiológica na febre maculosa: Rickettsia rickettsii e Rickettsia parkeri. A espécie envolvida na infecção influencia a apresentação clínica e a gravidade da doença. 

A infecção por Rickettsia rickettsii, conhecida como febre maculosa brasileira, está associada a manifestações potencialmente graves e elevada letalidade. Já a infecção por Rickettsia parkeri costuma apresentar evolução mais branda, com manifestações leves a moderadas. Até o momento, não há registros de óbitos atribuídos a essa forma da doença (Brasil, 2026b).

A febre maculosa é contagiosa?

Não. A febre maculosa não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra. Portanto, o contato com uma pessoa doente, incluindo abraço, beijo ou convivência no mesmo ambiente, não transmite a doença.

A infecção ocorre quando uma pessoa é picada por um carrapato infectado por bactérias do gênero Rickettsia. Por isso, o risco está relacionado à exposição a carrapatos em áreas onde há circulação dessas bactérias. 


Como a febre maculosa é transmitida?

Qual carrapato transmite a febre maculosa?

No Brasil, a febre maculosa pode ser transmitida, principalmente, por três espécies de carrapatos: Amblyomma sculptum, conhecido como carrapato-estrela; Amblyomma aureolatum, conhecido como carrapato-amarelo-do-cão; e Amblyomma ovale.

Amblyomma sculptum: o carrapato-estrela

O Amblyomma sculptum, conhecido como carrapato-estrela, é o principal vetor da Rickettsia rickettsii, bactéria associada à forma mais grave da febre maculosa brasileira.

As formas imaturas desse carrapato, larvas e ninfas, apresentam um comportamento mais agressivo em relação aos seres humanos. Por isso, a incidência de picadas tende a aumentar entre o outono e a primavera, período em que ocorre maior atividade desses estágios.

Esse carrapato é encontrado principalmente em áreas de Cerrado, mas também está presente em áreas degradadas da Mata Atlântica, inclusive em ambientes urbanos e pode parasitar diferentes animais, incluindo cavalos, antas, capivaras, suínos e tamanduás-bandeira. Dentre eles, as capivaras têm papel importante na epidemiologia da febre maculosa, pois podem atuar como hospedeiros amplificadores da R. rickettsii para as populações de carrapatos.

Hospedeiro amplificador é o animal que, quando infectado, mantém uma quantidade elevada da bactéria circulando no sangue, aumentando a chance de os carrapatos adquirirem a infecção e transmiti-la posteriormente.

Amblyomma aureolatum: o carrapato-amarelo-do-cão

O Amblyomma aureolatum, conhecido como carrapato-amarelo-do-cão, está mais associado a áreas de Mata Atlântica e regiões de clima mais frio.

A exposição humana pode ocorrer diretamente, durante atividades em áreas de mata, como caminhadas e trilhas. No entanto, uma importante via de exposição ocorre quando cães retornam de áreas de mata carregando carrapatos, que podem posteriormente entrar em contato com as pessoas dentro de casa.

Amblyomma ovale

O Amblyomma ovale é considerado um importante vetor da Rickettsia parkeri cepa Mata Atlântica, associada à chamada febre maculosa da Mata Atlântica. Essa forma da doença costuma apresentar evolução mais branda na maioria dos casos.

O Amblyomma ovale apresenta ampla distribuição pelo território brasileiro, podendo ser encontrado em diferentes biomas, incluindo Mata Atlântica, Cerrado, Amazônia e Pantanal.

Todo carrapato transmite febre maculosa?

Não. Embora existam diversas espécies de carrapatos catalogadas no Brasil, apenas algumas apresentam importância reconhecida na transmissão das bactérias causadoras da febre maculosa.

Além disso, mesmo as espécies de carrapatos capazes de transmitir Rickettsia precisam estar infectadas pela bactéria para que possam transmiti-la aos seres humanos.

Portanto, encontrar um carrapato na pele não significa, necessariamente, que houve exposição à bactéria ou que a pessoa desenvolverá febre maculosa. O risco depende da espécie do carrapato, da presença da bactéria e das características da região onde ocorreu a exposição.

Quanto tempo o carrapato precisa ficar preso à pele?

O risco de transmissão da febre maculosa depende de diferentes fatores, incluindo a espécie do carrapato e o tempo em que ele permanece aderido à pele.

De modo geral, quanto maior o tempo de permanência do carrapato infectado, maior pode ser o risco de transmissão. Entretanto, esse intervalo é variável, e a infecção pode ocorrer em períodos mais curtos.

Por isso, não existe um tempo de permanência considerado totalmente seguro. Se encontrar um carrapato preso à pele da criança, retire-o o mais rapidamente possível, seguindo as orientações adequadas.

Como retirar o carrapato da pele?

Se encontrar um carrapato preso à pele da criança, a orientação é retirá-lo o mais rapidamente possível. Para isso:

  1. Use uma pinça de ponta fina e segure o carrapato o mais próximo possível da pele, pela região da cabeça ou das peças bucais. Evite apertar o corpo do carrapato.
  2. Puxe lentamente, com pressão firme e contínua, em direção perpendicular à pele. Não torça, não faça movimentos bruscos e não tente arrancá-lo de uma só vez.
  3. Após a retirada, lave bem as mãos e o local da picada com água e sabão. Se disponível, pode-se também utilizar álcool 70% para higienizar a região.
  4. Descarte o carrapato de forma segura, colocando-o em um recipiente fechado, envolvendo-o completamente com fita adesiva ou colocando-o em álcool. Evite esmagá-lo com as mãos.
  5. Como pode haver mais de um carrapato, examine cuidadosamente todo o corpo da criança, incluindo couro cabeludo, atrás das orelhas, pescoço, axilas, virilha e entre os dedos.

fonte: What to Do After a Tick Bite | Ticks | CDC 

E se parte do carrapato ficar presa na pele?
Se as peças bucais permanecerem na pele após a retirada, tente removê-las delicadamente com uma pinça. Se não saírem facilmente, não é necessário manipular ou escavar a pele repetidamente. A região pode ser higienizada e observada enquanto cicatriza.

O que NÃO fazer?

❌ Não esmague ou aperte o carrapato enquanto ele estiver preso à pele.

❌ Não aplique álcool, acetona, vaselina, óleo ou outras substâncias sobre o carrapato para tentar fazê-lo sair.

❌ Não queime o carrapato nem encoste objetos quentes, como agulhas, fósforos ou pontas aquecidas.

Essas medidas podem irritar ou estressar o carrapato e não são recomendadas para sua remoção, pois podem favorecer a liberação de secreções e aumentar o contato com as bactérias presentes no carrapato.


Quais são os sintomas da febre maculosa?

A febre maculosa pode apresentar um quadro clínico bastante variável. No início, os sintomas costumam ser inespecíficos, como febre, dor de cabeça, dores no corpo e prostração. No entanto, a doença pode evoluir rapidamente para formas graves, com comprometimento de diferentes órgãos e elevado risco de óbito.

O período de incubação, ou seja, o intervalo entre a exposição ao carrapato infectado e o aparecimento dos primeiros sintomas, varia de 2 a 14 dias, com média de aproximadamente 7 dias.

Evolução temporal dos principais sinais e sintomas da FMB durante a primeira semana da doença

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 49/2026-CGZHA/DEDT/SVSA/MS, 2026. 

Sintomas inespecíficos

No início da doença, os sintomas são geralmente inespecíficos. A febre alta de início súbito costuma ser um dos primeiros sintomas, acompanhada de dor de cabeça intensa, dores musculares, dores nas articulações, prostração, náuseas e vômitos.

Por apresentar sintomas semelhantes aos de outras doenças infecciosas, a febre maculosa pode ser inicialmente confundida com diagnósticos como dengue, zika, chikungunya, leptospirose, enteroviroses e viroses respiratórias, incluindo influenza e COVID-19.

Por isso, a história de contato com carrapatos ou de permanência em áreas de risco é uma informação fundamental para levantar a suspeita da doença.

Manchas na pele: como é o exantema da febre maculosa?

O exantema, ou seja, as manchas que aparecem na pele, é uma manifestação importante da febre maculosa brasileira. Geralmente surge entre o 3º e o 5º dia de doença, mas pode aparecer mais tarde ou até mesmo não aparecer.

Além disso, o exantema pode ser mais difícil de identificar em pessoas com pele mais pigmentada. Portanto, a ausência de manchas na pele não exclui o diagnóstico de febre maculosa.

Nas formas clássicas, as lesões apresentam algumas características:

  • inicialmente, são manchas e pequenas elevações avermelhadas da pele (exantema maculopapular);
  • geralmente não provocam coceira;
  • costumam ter entre 1 e 5 mm;
  • aparecem inicialmente nas extremidades, especialmente em punhos e tornozelos;
  • podem atingir também as palmas das mãos e plantas dos pés;
  • com a progressão da doença, podem se espalhar para braços e pernas e, posteriormente, para o tronco e a face.

Em casos mais graves, as lesões podem evoluir para petéquias e áreas de púrpura, podendo chegar a sufusões hemorrágicas, que correspondem a áreas maiores de sangramento sob a pele.


Quando suspeitar de febre maculosa?

A suspeita de febre maculosa deve ser considerada principalmente quando os sintomas são compatíveis com a doença e existe uma possível exposição a carrapatos ou a áreas de alto risco de transmissão.

De acordo com os critérios de suspeição clínica e epidemiológica, é importante considerar a possibilidade de febre maculosa nas seguintes situações:

  • Febre de início súbito, acompanhada de dor de cabeça intensa e dor muscular, quando houve picada de carrapato, contato com animais domésticos ou silvestres ou permanência em área com transmissão conhecida de febre maculosa nos últimos 15 dias.
  • Febre de início súbito, acompanhada de dor de cabeça intensa e dor muscular, seguida pelo aparecimento de manchas na pele entre o 2º e o 5º dia de doença e/ou manifestações hemorrágicas, mesmo que não haja relato conhecido de picada de carrapato.
  • Febre de início súbito e presença de escara de inoculação, podendo ou não apresentar linfadenopatia regional, geralmente ipsilateral à escara. 

*Escara de inoculação é uma lesão que pode surgir no local da picada de carrapato, geralmente com uma crosta escura e pode ser acompanhada de aumento de gânglios na região próxima.

É importante lembrar que a picada de carrapato pode passar despercebida e que o exantema pode não estar presente. Por isso, a ausência desses achados não exclui a possibilidade de febre maculosa quando o quadro clínico e o contexto epidemiológico forem compatíveis.

Diante de uma suspeita, a avaliação médica deve ser realizada o mais rapidamente possível, pois o tratamento precoce é fundamental para reduzir o risco de evolução para formas graves.

Quando a criança teve contato com carrapato

Quando um carrapato for encontrado na criança, é importante anotar a data em que ele foi identificado e retirado. Essa informação pode ser útil caso a criança apresente sintomas nos dias seguintes.

Nos 14 dias após a possível exposição, os responsáveis devem ficar atentos ao surgimento de febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, prostração, náuseas, vômitos, manchas na pele ou outros sintomas.

Caso a criança apresente algum desses sintomas nesse período, é importante informar ao médico sobre o contato com o carrapato e a data em que ele foi encontrado.

Quando a criança esteve em área de risco

Para uma área ser considerada de risco para a ocorrência de febre maculosa, é necessário haver carrapatos capazes de transmitir a doença e circulação de bactérias do gênero Rickettsia.

Essa combinação pode estar presente em diferentes ambientes, como:

  • áreas rurais e de mata;
  • parques e locais com vegetação;
  • locais com presença de animais, como capivaras, cavalos, cães, gatos e aves, que podem favorecer a presença e a circulação de carrapatos.

No entanto, a presença desses animais não significa, por si só, que o local seja uma área de transmissão de febre maculosa. Para avaliar o risco, também é importante saber se há circulação de Rickettsia na região.

O QR Code abaixo permite consultar informações sobre as áreas de risco para transmissão da febre maculosa no estado de São Paulo.

Fonte: São Paulo (Estado). Secretaria de Estado da Saúde. Centro de Vigilância Epidemiológica. Febre Maculosa Brasileira. 


Quais são os sinais de alerta?

A febre maculosa pode evoluir rapidamente para formas graves. Se a criança apresentar febre e sintomas compatíveis com a doença, especialmente após possível contato com carrapatos ou permanência em área de risco, a presença de qualquer um dos sinais abaixo exige avaliação médica urgente.

Procure imediatamente um serviço de urgência se a criança apresentar:

  • alteração do nível de consciência, como sonolência excessiva, dificuldade para despertar ou irritabilidade intensa;
  • convulsão;
  • pressão arterial baixa ou sinais de má circulação;
  • diminuição importante da quantidade de urina;
  • dificuldade para respirar ou respiração acelerada;
  • sangramentos, como sangramento pelo nariz, gengiva, urina ou fezes;
  • pele ou olhos amarelados (icterícia);
  • inchaço (edema);
  • progressão das manchas na pele, especialmente quando surgem pontos avermelhados que não desaparecem à pressão (petéquias), áreas arroxeadas (púrpura) ou manchas maiores decorrentes de sangramento sob a pele (equimoses).

Na suspeita de febre maculosa, não espere o aparecimento de todos esses sinais para procurar atendimento.


Quando procurar atendimento médico?

Se a criança apresentar febre nos 14 dias após uma picada de carrapato ou permanência em uma área de risco, procure avaliação médica imediatamente. Informe ao profissional de saúde sobre a possível exposição, mesmo que nenhum carrapato tenha sido encontrado. 

O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento adequado, diante da suspeita clínica, são essenciais para reduzir o risco de evolução para formas graves da doença. Por isso, não espere o aparecimento de manchas na pele ou de outros sinais de gravidade para buscar atendimento.


Como é feito o diagnóstico da febre maculosa?

O diagnóstico da febre maculosa é baseado na avaliação dos sintomas apresentados pela criança e do histórico de possível exposição a carrapatos, associado à realização de exames laboratoriais.

Entretanto, os exames disponíveis para confirmação da doença podem não apresentar resultados conclusivos nos primeiros dias de infecção, justamente quando o início do tratamento é mais importante.

Como a febre maculosa pode evoluir rapidamente para formas graves, a suspeita clínica, associada ao histórico de exposição a carrapatos ou permanência em áreas de risco, é suficiente para indicar o início do tratamento, sem a necessidade de aguardar a confirmação laboratorial.

O tratamento precoce é fundamental para reduzir o risco de complicações graves e óbito. Por isso, diante de uma suspeita de febre maculosa, a realização dos exames não deve atrasar o início do tratamento.


Como é o tratamento da febre maculosa?

Qual antibiótico é utilizado?

O tratamento da febre maculosa é realizado com antibióticos, sendo a doxiciclina o medicamento de primeira escolha, inclusive para crianças de todas as idades.

O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível, assim que houver suspeita clínica da doença, preferencialmente até o 5º dia após o início dos sintomas. Não é necessário aguardar a confirmação por exames laboratoriais para começar a antibioticoterapia.

Geralmente, o tratamento é realizado por sete dias, devendo ser mantido por pelo menos três dias após o desaparecimento da febre, conforme a evolução clínica e a avaliação médica. 

O início precoce do antibiótico é a principal medida para reduzir o risco de complicações graves e óbito por febre maculosa.

É necessário tomar antibiótico após uma picada de carrapato? 

Não. O uso preventivo de antibióticos não é recomendado após uma picada de carrapato quando não há sintomas sugestivos de febre maculosa. Além de não haver benefício comprovado nessa situação, essa conduta pode dificultar o reconhecimento oportuno da doença.

Se encontrar um carrapato na pele do seu filho, retire-o o mais rapidamente possível e anote a data da exposição. Nos 14 dias seguintes, fique atento ao surgimento de febre ou outros sintomas, como dor de cabeça, dores musculares, prostração ou manchas na pele.

Caso a criança apresente sintomas nesse período, procure avaliação médica imediatamente e informe sobre a picada de carrapato ou a permanência em uma área de risco, mesmo que o carrapato não tenha sido encontrado.

A criança precisa ser internada?

Não necessariamente. A necessidade de internação depende da gravidade do quadro clínico e das condições para realizar o tratamento e o acompanhamento adequados.

Crianças que apresentam bom estado geral, sem sinais clínicos ou laboratoriais de gravidade, e que conseguem tomar o antibiótico por via oral podem realizar o tratamento em casa, desde que seja possível garantir acompanhamento médico próximo e reavaliação sempre que necessário.

Por outro lado, a presença de sinais de gravidade, dificuldade para tomar a medicação, piora clínica ou impossibilidade de acompanhamento adequado pode indicar a necessidade de internação hospitalar.

A decisão deve ser individualizada e realizada pelo médico, considerando o estado clínico da criança, os resultados dos exames e a possibilidade de monitoramento durante o tratamento.


Como prevenir a febre maculosa?

Como não existe vacina disponível contra a febre maculosa nem recomendação de uso preventivo de antibióticos após a exposição a carrapatos, a principal forma de prevenção é evitar o contato com esses animais, especialmente em áreas onde há risco de transmissão da doença.

Por isso, é fundamental que pais e cuidadores conheçam as medidas de proteção contra picadas de carrapatos e saibam como identificar e retirar esses animais da pele da criança de forma segura.

Evitar carrapatos

A principal medida para prevenir a febre maculosa é evitar o contato com carrapatos, especialmente em áreas onde há risco conhecido de transmissão da doença.

Sempre que possível, deve-se evitar a permanência em locais com grande presença de carrapatos, principalmente durante os períodos de maior atividade das formas imaturas do carrapato-estrela, que ocorrem predominantemente entre o outono e a primavera.

Quando a exposição a esses ambientes não puder ser evitada, algumas medidas ajudam a reduzir o risco de picadas:

  • Utilize roupas adequadas: prefira calças compridas, blusas de mangas longas e calçados fechados. Roupas de cores claras facilitam a identificação dos carrapatos. Quando possível, mantenha as barras das calças por dentro das meias.
  • Examine as roupas e a pele durante a exposição: em locais com presença de carrapatos, realize inspeções frequentes, preferencialmente a cada duas horas, para identificar e retirar rapidamente os carrapatos encontrados.
  • Examine todo o corpo após a exposição: ao retornar para casa, tome banho e verifique cuidadosamente a pele da criança, utilizando um espelho ou a ajuda de outra pessoa para observar regiões de difícil visualização.
  • Dê atenção especial às áreas menos visíveis: examine o couro cabeludo, atrás, ao redor e no interior das orelhas, pescoço, axilas, umbigo, virilha, região genital, atrás dos joelhos e entre os dedos.
  • Inspecione os animais de estimação: cães e outros animais podem transportar carrapatos para dentro de casa, especialmente após passeios em áreas de mata ou com vegetação.
  • Utilize repelentes adequados: alguns produtos contendo DEET, IR3535 ou icaridina podem oferecer proteção contra carrapatos. Entretanto, é fundamental escolher um repelente registrado na Anvisa e com indicação específica para esses animais, respeitando a faixa etária e as orientações do fabricante.

Cuidados com o uso de repelentes em crianças

O repelente deve ser aplicado por um adulto, respeitando as recomendações de idade, quantidade e intervalo de reaplicação. Evite a aplicação nas mãos, próximo aos olhos e à boca, nas mucosas e em regiões com feridas ou irritações.

Importante: mesmo com o uso de roupas protetoras e repelentes, é fundamental examinar cuidadosamente a pele da criança após atividades em áreas de risco. A identificação e a retirada rápida dos carrapatos ajudam a reduzir o risco de transmissão da febre maculosa.


Febre maculosa e crianças: o que os pais precisam lembrar

  • Nem todo carrapato transmite febre maculosa.
  • A doença pode começar com sintomas inespecíficos.
  • As manchas na pele podem não aparecer.
  • O contato com carrapatos ou áreas de risco é uma informação importante a ser dita para o médico.
  • Na suspeita, não se deve esperar o agravamento do quadro para procurar atendimento.
  • O tratamento precoce é fundamental.

Perguntas frequentes sobre febre maculosa

Todo carrapato pode transmitir febre maculosa?

Não. Depende da espécie do carrapato e se ele está infectado com a bactéria causadora da febre maculosa.

Uma picada de carrapato sempre causa febre maculosa?

Não. O carrapato que picou precisa estar infectado com a bactéria causadora da febre maculosa (R. rickettsii ou R. parkeri).

Quanto tempo depois da picada aparecem os sintomas?

Geralmente os sintomas podem surgir de 2 a 14 dias após a picada do carrapato.

A febre maculosa passa de uma pessoa para outra?

Não. A febre maculosa não é transmissível de forma direta de pessoa para pessoa.

Toda criança com febre e manchas está com febre maculosa?

Não. Inúmeras doenças que acometem crianças podem cursar com febre e manchas na pele. É necessário que o pediatra avalie a história e examine a criança.

O que fazer se encontrar um carrapato na criança?

Retirar o mais rapidamente possível, da forma correta, anotar o dia no calendário e ficar atento aos sintomas da febre maculosa pelos próximos 14 dias.

Existe vacina contra febre maculosa?

Não. Atualmente, não existe vacina disponível contra a febre maculosa

Febre maculosa tem cura?

Sim. A febre maculosa tem tratamento, e as chances de recuperação são maiores quando a doença é reconhecida e tratada precocemente. Entretanto, as formas graves podem evoluir com complicações importantes e risco de morte, especialmente quando o tratamento é iniciado tardiamente. 


Conclusão

A febre maculosa é uma doença que pode apresentar evolução grave, especialmente quando não é identificada e tratada precocemente. Campinas e outras regiões do estado de São Paulo possuem áreas de risco para sua transmissão, tornando a prevenção e o reconhecimento dos primeiros sintomas especialmente importantes.

Se a criança tiver contato com carrapatos ou frequentar uma área de risco, é fundamental observar o aparecimento de sintomas nos 14 dias seguintes.

Na presença de febre ou outros sintomas sugestivos, procure atendimento médico imediatamente e informe sobre a possível exposição. O diagnóstico oportuno e o início precoce do tratamento podem salvar vidas.

Dra. Carolina Aoki
CRM-SP 192589 | RQE 122335
Campinas – SP


Referências:

  1. ANDREOTTI, Renato; GARCIA, Marcos Valério; BARROS, Jacqueline Cavalcante; KOLLER, Wilson Werner; RODRIGUES, Vinicius da Silva. Museu do Carrapato da Embrapa Gado de Corte: espécimes de carrapatos descritos no Brasil e depositados na coleção até o momento. Campo Grande, MS: Embrapa Gado de Corte, 2018. 50 p. (Documentos / Embrapa Gado de Corte, 251). ISSN 1983-974X.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Febre maculosa brasileira. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/febre-maculosa-brasileira/. Acesso em: 30 out. 2026.
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis. Febre maculosa: aspectos epidemiológicos, clínicos e ambientais. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. 160 p. ISBN 978-65-5993-255-9.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Doenças Transmissíveis. Coordenação-Geral de Vigilância de Zoonoses e Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar. Nota Técnica nº 49/2026-CGZHA/DEDT/SVSA/MS: reforça as orientações para as ações de vigilância e assistência em saúde durante o período de sazonalidade da febre maculosa (FM) no Brasil, com ênfase na suspeita clínica e no início precoce do tratamento. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026a.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Doenças Transmissíveis. Coordenação-Geral de Vigilância de Zoonoses e Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar. Nota Técnica nº 53/2026-CGZHA/DEDT/SVSA/MS: inclusão de critério adicional na definição nacional de caso suspeito de febre maculosa por Rickettsia parkeri (FMRP) e dá outros encaminhamentos. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026b.
  6. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). What to do after a tick bite. Atlanta, GA: CDC, 9 jun. 2026. Disponível em: https://www.cdc.gov/ticks/after-a-tick-bite/. Acesso em: 30 out. 2026.
  7. OLIVEIRA, S. V. de et al. An update on the epidemiological situation of spotted fever in Brazil. Journal of Venomous Animals and Toxins Including Tropical Diseases, Botucatu, v. 22, p. 22, Sept. 2016.
  8. SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Estado da Saúde. Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”. Febre maculosa brasileira. São Paulo: Secretaria de Estado da Saúde, [junho/2023]. Disponível em: https://portal.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-por-vetores-e-zoonoses/doc/fmaculosa/febremaculosa_esp.pdf. Acesso em: 30 out. 2026.

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